Momentos de
Júlia  Hilsendeger




Frio da Alma

Estou com frio
Não sei se é o vento
Não sei se é a minha solidão
Um frio que penetra em meus ossos
Que me congela a alma
Um frio que dilacera
Que me deixa lenta
Que me faz triste
Nem a cama me aquece


A cama tornou-se grande demais
Me enrosco, como uma criança
A procura de carinho, de calor,
Mas continuo com frio
Não sinto tuas mãos nas minhas mãos
Não tenho teus braços num abraço
Não tenho teu olhar no meu
Não tenho você a me aquecer
Nem um pensamento
Nem uma lembrança quente para me aquecer
Somente um travesseiro frio e vazio


Mas sinto tua presença
Vejo Você chegando, mas não consigo tocá-lo
Você chega e vai assim como um sonho
E eu sinto frio, muito frio
Mas deve ser somente o vento.


* Júlia  Hilsendeger
 


Poeira

Hoje tirei o pó do meu velho sofá,
e o cobri com uma velha colcha,
Resolvi que a partir de hoje será novo
coberto com uma manta que está na moda.


Aproveitei e tirei também o pó de meu passado
Abrindo gavetas de um passado
cheio de sonhos, desilusões
de alegrias, tristezas,
de encantos e desencantos.


Fui espanando em partes,
Cada tempo vivido uma poeira diferente
Em alguns, um pó finíssimo,
Era aquele passado nunca esquecido
Em outros um pó mais pesado,
Aquele que foi esquecido pelo tempo


O outro ao lado, coberto com um pó dourado
Mostrando que era um tesouro de meu passado
Mais adiante um simplesmente esquecido
Coberto por teias, tecidas pelo tempo
Esse outro coberto por uma tênue fumaça
Mostrando que continua vivo, quente, sentido
Em todo meu passado tinha algo a ser limpo
Mas não o cobri...


Por que ao remover a poeira
Percebi que não teria a necessidade de ser coberto
Não por causa da forma como foi vivido,
Mas pela forma que ele vive em meu presente.

* Júlia  Hilsendeger

Direitos @utorais Reservados
Poemas editados com Autorização da Autora
 

 







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