
Afago,
hoje, o coração
inquieto,
mais desperto do
que mergulhado
na crença
cega do amanhã
feliz,
mais aberto ao confronto
com as verdades
que o orgulho esconde,
mais disposto a
vencer as ameaças
sem contradições,
seguro apenas do
que pode,
certo de que a derrota
é somente
um incidente de
percurso.
Hoje
nada ofereço
porque estou reabastecendo
as minhas reservas,
preenchendo os meus
vazios,
recolhendo os cacos
dos meus cristais,
limpando as marcas
do vinho derramado,
apagando a chama
da última
vela
que ainda teima
em lembrar
que já houve
um dia de festa...
Hoje
pode ser
que eu não
me preocupe
com as conseqüências
dos erros do ontem,
com o sabor amargo
de uma desventura
qualquer,
com a cicatriz
que ainda se faz
presente,
embora invisível
aos cegos de plantão.
Hoje
é um dia
nada especial
onde dizem pouco
os pingos da chuva
a duelar com a minha
vidraça,
o barulho dos ventos
tentando uma nova
sinfonia.
Nem mesmo falam
comigo
os meus silêncios...
Hoje
quero apenas sentir
aquele outro lado
que já venci,
as dores das lágrimas
que não pude
chorar,
o calar dos desejos
que se esconderam
na renúncia
e na saudade.
Hoje
quero reviver o
passado
para sorrir ainda
mais
deste presente do
sol
nas minhas manhãs,
e deste brilho de
novas estrelas
num céu que
custei a bordar.
Hoje
quero apenas
entender o tamanho
do meu sorriso.
** Cleide
Canton
"É
mais fácil
deixar os sonhos
voarem
nas asas de uma
borboleta à
luz do sol
do que permitir
que eles naveguem
nas ondas inseguras
do mar, sob o luar.
Cleide
Canton"
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