Ah! Quanta Coisa Deixei De Dizer...


 

Você sorriu,
e sem deixar meus lábios beijarem seus olhos,
riu de meu olhar, riu de minhas mãos
soltas e perdidas na procura de seus passos,
riu de meus pés descalços correndo
em busca do abraço na distância
de um sorriso que se afasta...

Senti o coração disparar na respiração trôpega,
cheirando ao vinho tinto das emoções
vividas em duas taças,
em dois minutos de um falsete,
em duas vidas que se cruzam,
em dois destinos que se apagam,
em duas marcas que ficam
em dois desconhecidos...

Deixei os pés sentirem as mãos
no tronco retorcido
das dores já conhecidas
na procura dos afagos
pagos em promessas de fantasias,
sempre renovadas aos amantes
e escondidas da luz do sol,
sem cortinas que na noite
de quartos alugados
faz do encontro,
a fuga...

Ouvi da lágrima
que teima em trazer
o demérito ao corpo saciado,
ainda molhado no prazer
provocado da troca programada
em pernas que se deixam indicar
o caminho fazendo atalhos,
sem deixar a ilusão nascer...

Abracei da solidão seu cheiro e entrei no chuveiro.

Autoria *Renato Alberto Moore
" Ramoore "
Direitos @utorais Reservados

 


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